Por que as pessoas tem tanta preocupação em chamar aquilo que gostam de arte, e aquilo que consideram como conhecimento válido como ciência?
Fazer amigos, apreciar uma boa comida, tomar um bom vinho, satisfação ao ler um livro/jogar videogame/ouvir música, ver a natureza funcionando, organizar as coisas do armário, aprender curiosidades e sabedorias populares de gente mais velha, brincar, ler quadrinhos: só alguns exemplos das (muitas) atividades humanas que não precisam estar sistematizadas enquanto conhecimentos pautados em um método para serem consideradas válidas, ou atividades necessariamente vinculadas a um modelo estético para serem consideradas agradáveis aos sentidos ou à mente, ou adequadas a qualquer outro tipo de categorização para serem considerados bons ou válidos.
Por que a necessidade de aprisionar tudo em categorias que acabam por limitar a experiência das coisas e conhecimentos em questão? Alguma das atividades acima citadas fica melhor ou mais válida caso ganhem o rótulo de ciência/arte?
Pelo lado oposto, por que banalizar as categorias e conceitos e tirar qualquer sentido da existência destes ao querer chamar tudo de arte ou de ciência? Se arte/ciência é tudo, por que a necessidade de sair encaixotando isso ou aquilo dentro dessas categorias, se elas abrangem tudo?
Fica a dica: não é chamando algo de "arte" que esse algo se torna mais sofisticado, válido, apreciável ou dotado de maior valor subjetivo. Na mesma linha, não é chamando algo de "ciência" que ele se torna mais preciso, verdadeiro, superior a outras formas de conhecimento ou dotado de maior valor subjetivo.
Sexta-feira, Julho 23, 2010
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1 comentários:
Alguns movimentos apostam em levar a 'verdadeira' arte pro cotidiano: www.anarcofagia.com - o qual participo.
Abraço!
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