Às vezes, tenho vontade de escrever, mas não sei o que escrever.
Aí, ao invés de deixar a falta de escritos dizer bem alto que não sei sobre o que escrever, tenho de escrever que não sei o que escrever, acabando com esse silêncio textual que grita muito sobre a falta de inspiração de seu autor.
O problema é que se não quebro esse silêncio altamente expressivo com as palavras que vão dar esse significado a ele, a falta de ruído é simplesmente vista como um sinal de vagabundagem ou abandono do autor em relação à atividade de escrever.
Ou seja: para tornar o silêncio mais expressivo do que as palavras, preciso usar palavras para caracterizá-lo de tal maneira, mas nesse processo ele acaba se perdendo graças àquilo que dará algum valor a mais para ele.
A tentativa de dar valor destruindo aquilo que vai receber valor.
O meta-texto de se escrever um texto, às vezes, parece muito com a vida real.
Segunda-feira, Maio 31, 2010
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1 comentários:
Mekaru (em crise),
outro dia lendo o jornal, vi uma matéria interessante - de vez em quando aparecem, é verdade, da FSP de sábado passado, talvez - sobre a correspondência de Drummond com leitores, admiradores, amigos, enfim, "pessoas desconhecidas". num dos casos de correspondência, com uma senhora, o poeta mineiro dava "dicas" literárias sobre a escrita, já que ela estava disposta a escrever. escrever simplesmente. achei curioso, Drummond dizia que nada poderia ser, para um "escritor", só "incrível", "inenarrável", "inexplicável", "espontâneo", resumindo, até mesmo qualquer besteira, coisa surpresa que fosse, quem sabe, merecesse o cuidado de uma descrição, da procura por um palavra, da sequencia delas em busca de um significado (im)preciso. ah, era só isso, mas, digamos, não é que você já encontrou a "dica" de Drummond antes mesmo dele ter te dito!
Abraço!
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