Domingo, Maio 31, 2009

Diagnóstico do Tempo - III

Faculdade, de novo.

Entrei faz cinco anos no curso de Ciências Sociais da Unicamp. Fui numa aula inaugural, fiquei ouvindo veteranos, li bastante sobre o curso na internet. A idéia que se passava é que o objetivo principal do curso era formar gente preparada para pensar criticamente o mundo, disposta a mudá-lo para melhor via um repensar das idéias e conceitos que existem por aí. De maneira subentendida, parecia ser esperado de nós, pobres calouros, uma abertura mental e o fim da mentalidade colegialesca de rebanho - fica difícil pensar criticamente se você quer se adequar doentemente ao meio social no qual está e fica pregando as idéias mais comuns desse meio como dogma.

Bom, essa expectativa foi cumprida.

Infelizmente, de maneira parcial.

Eu realmente não esperava que a modalidade de senso crítico em voga na faculdade fosse adotado de maneira dogmática pelos estudantes, o que acaba restringindo o seu escopo; e realmente achava que todo mundo já tinha passado da idade de se vestir, adotar os hábitos e falar como a garotada mais velha da "escola" - a chamada "estética da sujeira/estética hiponga" é adotada por muita gente com força total, sabe-se lá o porquê; sempre achei que a última coisa que diria algo sobre a sua profundidade intelectual seriam as roupas que você veste (ou deixa de vestir, ou deixa de lavar/cuidar).

Nesse sentido, a faculdade me esclareceu bastante sobre "o mundo lá fora": nem mesmo nos redutos de crítica ao mundo-lá-fora a gente escapa de certos probleminhas como uniformização de pensamento, pressão do coletivo para adaptar-se a hábitos correntes no espaço social em questão e dogmatização de certos conjuntos de idéias e práticas. O foda é que junto a tudo isso vem uma falta de autocrítica que beira o absurdo; é ultrajante ter de ouvir nas rodinhas de conversas coisas na linha de "os engenheiros são todos iguais na maneira de vestir e nas opiniões políticas", e a roda ser composta por adeptos da estética da sujeira/hiponga, e com idéias políticas fugindo muito pouco da ideologia esquerdista-marxista.

A conclusão maior é que semancol falta em todo lugar - até mesmo no local onde ele deveria ser fabricado. Uma tristeza, realmente.

3 comentários:

isadora machado disse...

alguém que se salva!

voilà!

fernando (morsa) disse...

Meks, sempre trazendo diagnosticos excelentes da realidade q o?nos cerca!

Pequenas Coisas disse...

Gostei da sua visão!