(Título alternativo: a história do mundo via Twitter©)
Um pequeno exercício de escrita, feito só pra saber como eu ando na criação de coisas novas e na coordenação de idéias de uma maneira que me divirta. Ah, serve também para eu alimentar os sonhos quase mortos de se tornar escritor de ficção algum dia.
Originalmente, seria o primeiro "capítulo" de uma série de historinhas que algum dia ainda escreverei - ele tem até um título destinado a essa função, e eu excluí a parte final do capítulo, que introduziria o leitor às vias de fato da minha pequena obra de ficção. Contrário ao que pode parecer, as historinhas não girariam em torno de filosofia/ontologia/existencialismo vulgares, como esse primeiro conto parece indicar: seria algo um pouco mais complexo, e envolveria algum grau de literatura fantástica neles.
Não está perfeito ainda, mas eu vou dar um jeito nas partes que mais me incomodam depois.
Enfim, vamos lá.
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I - Uma Pequena Introdução
No início, era o desconhecido.
E então, a vida surgiu.
A vida cresceu e progrediu de maneira paradoxal: caos extremo em menor escala, uma ordem extremamente harmônica em seu todo.
Ela se organizou de forma cada vez mais sofisticada com o passar das eras, dando origem a seres cada vez mais complexos e se tornando um sistema cada vez maior e mais delicado.
E então, a civilização surgiu.
A vida continuou seu andar, cada vez maior e mais caótica/ordenada ao mesmo tempo.
Mas não era tão fácil assim continuar para a civilização.
Os problemas de percurso, para ela, surgiram logo após o começo da vida.
Junto à vida, veio aquilo que mais está presente nela: a morte.
Junto à civilização, veio aquilo que é comumente associado a ela: a fome, a peste, a guerra.
(E ainda tem gente que não acredita nos Quatro Cavaleiros do Apocalipse, ou acha que eles só vão existir no Fim dos Tempos. Pobres coitados.)
Enfim: problemas.
Todos derivados da mera existência da vida e da civilização.
A civilização, nesse momento, passou a existir em função da criação de soluções para esses problemas.
E as próprias soluções começaram a criar mais problemas, de maneira um tanto paradóxica.
Sorrateiramente, o absurdo surgiu em algum momento, como o mais novo sintoma da civilização.
O desconhecido retornou um pouco antes - ou seria depois? - do surgimento do absurdo.
Com maestria desconcertante e discrição assustadora, acabaram por se tornar os novos reis incontestáveis da realidade, permeando cada centímetro dela.
Em alguns casos, existindo somente como uma idéia ou crença coletiva, mas ainda assim presentes.
Desde então, tudo no curso da vida e da civilização gira em torno da tríade do descontentamento - os problemas, o desconhecido, o absurdo.
Mais especificamente, em torno da eliminação deles.
Apesar de tudo isso, a vida continua.
Desde sempre.
E ainda temos de vivê-la se quisermos continuar existindo, a despeito dos problemas, desconhecidos e absurdos dela.
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Domingo, Março 22, 2009
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3 comentários:
Eu compro seu livro, mas você tem que comprar o meu também...podemos lançar no mesmo dia, fazendo um debate existencial em alguma livraria cult, que acha? Abraços..
Thiago..
Se vc lançar pela Compahia da Letras, eu compro quando estiver na promoção de 25%!
Haha, zueira Mekaru, eu compro seu livro até se for uma edição de luxo da Cosac Naify!
"[...] tríade do descontentamento - os problemas, o desconhecido, o absurdo."
Entrou pra minha lista de citações =-)
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