Domingo, Setembro 14, 2008

Mea Culpa

Há uns dois anos atrás e até agora a pouco, eu era mais melancólico, desesperançoso e ainda um tanto aflito com a indigestão mental causada pela descoberta de falta de sentido intrínseco à vida que ocorrera quando eu tinha uns 16 anos. Isso se refletia em textos mais concisos, críticos, azedos e impactantes, por razões que não sei como explicar bem.

Era o tipo de coisa que sempre quis manter como padrão no que diz respeito à escrita: cortar fora a pretensiosidade artística típica de universitários metidinhos quando vão inventar de escrever e quererem ser originais, mostrar somente o mínimo necessário para causar reflexões, ser bem claro quanto aos alvos do texto e, o mais importante de tudo, causar um certo mal-estar.

A premissa era: o mundo moderno nos enrola e mente demais via regrinhas consetudinárias que dizem respeito a como devemos viver e nos portar frente aos outros e que se disfarçam sob o rótulo de "Como não parecer um idiota/mal-educado em certas situações". Cortar na maior quantidade possível os preciosismos impostos a nós dessa maneira para expor aquilo que eles escondem era o objetivo principal. Então, nada de poesia que questiona as formas tradicionais de escrever e significar textos e o caralho: escrita rápida, direta e mortal a la Kafka é o que rola para comunicar melhor as idéias.

Depois de três meses levemente trágicos e em uma experiência completamente fora do cotidiano ao qual eu estive acostumado por 22 anos, envelheci e amadureci muito mais do que havia feito em qualquer outro período de minha vida. Resultado? Muito do amargor que era o combustível pra escrita no estilo que eu gostava se foi, e ficaram no lugar algumas pretensões artísticas das quais não ainda não consegui me livrar e andam me incomodando muito. A produção aumentou, mas sinto que a qualidade caiu bastante.

Esse post é um grande "Foi mal aê" dedicado pra quem chegou aqui via textos-arquétipos do meu estilo antigo de escrita (tipo esse ou esse outro aqui) e acabou dando de cara com algumas coisas mais longas e maçantes e menos críticas.

Acima de tudo, é um lembrete para mim mesmo - já escrevi melhor, e tenho que tentar voltar a esse estágio anterior da escrita.

6 comentários:

Bu disse...

Vc amadurece e a qualidade cai?
Parece que tem algo errado.

Talvez não seja isso e sim a mudança de visão que fez outro tipo de coisa surgir [não necessariamente fazendo morrer o outro lado 'azedo' da 'vida ácida'.

Mas eu não li os posts antigos, então, "foi mal aê"..


[mas atente pro penúltimo parágrafo, sobre as pretensões e tal e tal.]*chata*

Bu disse...

[na verdade o que eu vim fazer foi encher o saco sobre o seu comentário no meu blog. 'óun' é um negócio engraçado e, conseqüentemente, o comentário foi engraçado. xP]

Yama disse...

Quando você achar que falta motivos pra RAAAAAGE na vida... lembre-se que existem otakus.

Bruno disse...

Michael Jackson está namorando com Pamela Anderson. Lembre-se disso, e não lhe faltará inspiração.

mauricio-caetano disse...

mano fiquei boladão com o que vc falou do kakfa... se acha isso mesmo dele?

Harry disse...

Eu ainda não fiz isso, mas vou comparar um texto do início da "fase amarga" com um texto do fim desta fase.

E o que eu espero constatar nessa comparação é que os textos do final da fase amarga são melhores do que os textos do início da fase amarga.

Aonde eu quero chegar é que em 4 anos de amargor, sua capacidade de expressá-la, pelo treino, melhorou. Agora, que você tem uma visão diferente das coisas, você talvez ainda não tenha tanta habilidade em expressar essa nova visão.

O que eu quero dizer, finalmente, é que não é o amargor que te faz escrever bem, mas sim o treino. Portanto, não deseje voltar a amargura (não que eu ache que você queira, mas caso você me surpreenda querendo-o, esta aí minha opnião).

E eu acabei de te deixar um depoimento que, de certo modo, é sobre isso, mas eu só fui ler seu post depois. Coincidência? Não. É que sua mudança é visível e, bom… fico feliz com ela.