Sábado, Setembro 13, 2008

Aleatoriedades

Três peroletas divertidas e agradáveis que não dariam um post inteiro por aqui. Aproveitem!
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Pérolas do Estágio Supervisionado

Personagens: eu, estagiário japonês de franja; Mandi, o estagiário piracicabano de forte sotaque da região de origem; criancinhas diversas com idades variando de 6 a 10 anos

- Tio, tio!

- Oi, rapaz!

- Você é emo?

- ....

*Outro estagiário morre de rir no momento*

- Ó, ele é emo sim, e tá sempre de mal com a vida enquanto ouve música tristinha!

- Aah, então ele é emo mesmo!

*Reprimo a vontade de xingar*

(Repita a história acima, umas quatro ou cinco vezes, inserindo de vez em quando coisas como "você conhece *banda emo tal*? É que você parece o vocalista!", "cadê seu cinto com aqueles quadradinhos de metal" e outras similares, e você terá um resumo fiel do meu segundo dia de estágio.)

- Tio, tio, você fala engraçado!

- Ah, é que eu não sou daqui de Campinas!

- De onde você é então?

- Piracicaba!

- Pôxa tio, legal... Até que você fala bem o português!

(questionado sobre essa resposta, o menino admitiu ter achado que Piracicaba fosse algum outro país da América do Sul que não fala português. Admitiu indiretamente também não saber o que é um sotaque distinto. Se bem que o sotaque piracicabano é um caso atípico na história dos sotaques, mas enfim.)

Lutando contra uma lente de contato

Personagens: eu, o cara que nunca usou lente de contato; olho direito; uma lente de contato de 4,25 graus de miopia; Yama, o nipo-sorocabano; Erika, a mestiça.

Andando pelo instituto de estatística, após comprar café. Espirro.
- Mas como eu dizia, o esclarecimenTATCHIM.... Porra, minha lente de contato do olho direito sumiu!

- Ih mano, vamos procurar então!

*Dois japoneses segurando café enquanto olham para o chão do saguão. Cinco minutos se passam nessa atividade.*

- Fudeu meu, perdi a lente :(

Tiro a lente do olho esquerdo. Algo incomoda o olho direito - talvez a estupidez de ter perdido a lente de um jeito tão besta. Pouco tempo depois, num lugar qualquer, conversando com Erika, a semi-japonesa.

- ... E foi assim que perdi a lente :(

- Ah, eu já perdi de um jeito bem estranho. E ela foi parar embaixo da pálpebra.

Raciocino um pouco. Abro meu olho direito com os dedos.

- Ó, vê se tem algo por aqui então. Depois que a perdi, tenho sentido algo nesse olho...

- Ah, eu não tou... Espera... Ai, ela apareceu!

*Erika tira a lente alojada entre o globo e a pálpebra com as unhas*
*Os júris do concurso de maior idiota do dia recebem uma indicação de última hora contendo o nome Fernando Mekaru como mais novo concorrente*

Um dia depois, antes de ir pra aula.

*Põe lente esquerda no olho esquerdo*
- Uau, direitinho!
*Tenta pôr lente no olho direito*
- Hmn, tá meio estranho...
*Fecha os olhos. Lente se dobra e cai, se apoiando nos cílios*
- Merda.
*Enfia o dedo indicador com a lente na ponta cerca de 15 vezes. Em todas, a lente se dobra e fico mais especializado em falar palavrões em frente ao espelho*
- Arrrh! Filha da puta!
*Dedo na lente contra o olho. Dessa vez, vai.*
- ... Porra, deu até vontade de usar óculos de novo agora.

(cena acima se sucede por mais três dias, sempre com o mesmo olho e variando o número de tentativas falhas antes da lente se alojar - e ele sempre aumenta :[ )

Reflexão fast-food do dia

Às vezes, após ver o que anda acontecendo do mundo, chego à conclusão que os movimentos apocalípticos não são um bando de idiotas sem muito o que fazer e que vêem na busca desse ideal uma prática de construção de algum sentido na vida - a pregação deles para que o fim do mundo venha logo é para evitar vivências em um futuro que exponha ainda mais o fracasso do ser humano enquanto espécie dotada de razão e alguma consciência para com seus iguais.

Em outras palavras, é mais tolerável esperar que a existência como a conhecemos se encerre do que ficar esperando pra ver qual será a próxima tragédia grotesca que teremos de aturar - se agora estamos lidando com crianças jogadas pelos pais janela abaixo e inglesas sendo mortas e despedaçadas por ex-namorados irados e com muita droga na cabeça, quais práticas sórdidas estão reservadas para o futuro?

Mini-conto: Como discutir com ideólogos revolucionários chatos

- Você é um acomodado! Não faz nada pra mudar as coisas de agora!

- Sua prática revolucionária cega e cheia de pré-julgamentos, arquétipos de como se portar/vestir para ser considerado um revolucionário, bordões e argumentos gastos ou mal-feitos e fetichismo positivista pela mudança só obstrui ainda mais os canais de diálogo com os ditos "acomodados" e elimina as possibilidades de discussão crítica efetiva das lutas sociais, o que só agrava o obscurantismo político acerca dessa causa e enfraquece a luta como um todo ao impedir que novas pessoas que possam ser úteis ao movimento se integrem a ele. Tudo isso graças à recusa da crítica direcionada a valores que você deseja conservar desesperadamente.

O real acomodado aqui é você, confortado em sua ideologiazinha de merda que te isenta de aceitar com válida qualquer coisa que pareça um obstáculo ideológico para você sob a justificativa de que quem critica não tem envergadura moral para emitir a crítica ou então a faz por pura inveja. Graças a isso, obviamente, não vou endossar esse tipo de ação burra e limitante.

- ... Mas pelo menos estou fazendo alguma coisa ao invés de me largar no marasmo teórico como os filósofos e pelegos fazem!

- Antes se entregar à metafísica entorpecedora que mostra os problemas desse tipo de movimento em seus fundamentos mal-formulados do que se entregar à ação burra e mal-coordenada só porque se caiu no fetichismo da ação que existe nos círculos libertários atuais. Fora que eventualmente seu movimento cometerá suicídio por questões que escapam a seus objetivos e dizem mais respeito a motivações egoístas e conservadoras,ou então perderá o caráter revolucionário por esse mesmo motivo - ou você acha que só porque seu grupinho se diz revolucionário ele está moralmente protegido dos joguetes políticos - de eticidade questionável, deve-se dizer - que percorrem todas as outras esferas da sociedade?

- ... Ah, vai tomar no cu.

(Aplicável a quase qualquer movimento social atualmente. Estava pensando na esquerda burra e dogmática e nos vegetarianos desse mesmo tipo, mas o texto é suficientemente vago para que _muita_ gente consiga vestir a carapuça que lhe é devida. Ou seja: procurem usar sempre, para terem muita diversão com a discórdia!)
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Por hoje é só!

2 comentários:

Bu disse...

Loongo texto.
Primeiro: eu tenho cinto de quadradinhos, droga.
Segundo: "até que você fala bem português" foi muuuuito massa! Huhuahuhuhuhuhuahua

O caso da lente eu já conhecia e eu diria que é assim mesmo, uma chatice. Eu já desisti das minhas lentes por me sentir derrotada xD. e eu acho que o olho direito é sempre mais problemático [sem explicação biológica, sinto muito].

Bu disse...

À réplica do "você é um acomodado" eu imaginei, inevitavelmente, a Lorelai do Gilmore Girls falando: muitas palavras num espaço pequeno de tempo.

E sei lá, eu preferia deixar o ideólogo revolucionário chato falando sozinho.
Mas eu sempre fico pensando. *blábláblá*