Segunda-feira, Agosto 18, 2008

Tradução - O Dia que os Discos Chegaram

Hmn.

Lembram do Os Outros, do livrinho massa de contos do Gaiman que não tinha saído no Brasil e blablablá?

Saiu uma edição brasileira do Fragile Things do Neil Gaiman, pouco antes dele chegar no Brasil, e eu só descobri isso depois de um mês. Pensei comigo: Merda! E agora, como encher linguiça no blog e fazê-lo parecer atraente de algum jeito?

(obviamente, postar fotos minhas visando os dois objetivos acima citados foi a primeira opção descartada.)

PORÉM, a edição brasileira omitiu VINTE dos vinte e nove contos originais - algumas omissões foram acertadas, outras nem tanto; entre eles, "Os Outros" que, não fosse pelo YouTube, só existiria em português aqui nesse blog. Yayz for me :D

Ou seja: ainda dá pra traduzir cerca de quinze a vinte contos aqui!

(Re)Comecemos por um dos quatro ou cinco poemas que tem no livro. Esse, na verdade, é um "poema" - tem estrutura em estrofes, mas não é nada parecido com um.

Mesma coisa do outro conto - não sou autor original, sem fins lucrativos, blablablá, etc e tal.
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Naquele dia, os discos pousaram. Centenas, dourados,
Silenciosos, descendo do céu como enormes flocos de neve,
E o povo da Terra parou e assistiu a aterrissagem,
Esperando, ansiosamente, para descobrir o que esperava por nós lá dentro,
E você não percebeu porque

Naquele dia, no dia que os discos chegaram, em uma grande coincidência,
Foi o dia em que a terra vomitou seus mortos
E os zumbis escavavam terra macia acima
ou irrompiam, rastejando e com o olhar vazio, impossíveis de se deter,
Vindo em nossa direção, na direção dos vivos, enquanto corríamos e fugíamos,
E você não percebeu porque

Naquele dia dos discos, que fora também o dia dos zumbis,
Aconteceu também o Ragnarok, e as televisões nos mostravam
Um navio feito das unhas dos mortos, uma serpente, um lobo,
Todos maiores do que a mente podia conceber
(mas que o camera-man conseguiu filmar)
Todos não muito longe dali, e então os Deuses vieram
E você não percebeu porque

Naquele dia dos discos-zumbis-da-luta-celestial
As travas da mágica se quebraram
E cada um de nós foi engolido pelos gênios e fadas
Que nos ofereciam desejos, maravilhas e eternidades,
Beleza, inteligência, corações verdadeiramente bravos e potes cheios de ouro,
Enquanto gigantes fi-fa-fumeavam pela terra e
As abelhas assassinas surgiram
E você não percebeu porque

Naquele dia, no dia dos discos, no dia dos zumbis,
No dia das fadas e do Ragnarok, no dia que
Os Grandes Ventos vieram, e nevou, e as cidades se cristalizaram completamente, no dia em que
Todas as plantas morreram, todo o plástico se dissolveu, no dia em que
Os computadores nos traíram, com suas telas nos mandando obedecer, no dia em que
Os anjos, bêbados e caóticos, se arrastaram para fora do bar,
E todos os sinos da cidade ressoaram, no dia em que
Animais nos diziam palavras em assírio, no dia do homem-das-neves, no dia em que
As capas esvoaçaram e a Máquina do Tempo retornou do futuro,

Você não percebeu nada disso porque
Você estava no seu quarto, fazendo nada,
Nem ao mesmo lendo, nada mesmo, apenas
Esperando perto de seu telefone,
Imaginando se eu ia te ligar.
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"Poema" originalmente presente na compilação Fragile Things, de Neil Gaiman, Harper Perennial, 2006.
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Da primeira vez que li, dei risada e achei a coisa toda muito cruel.

Depois, percebi que era algo sobre amor, a questão do esperar e perder, sacrifício de uma coisa por outra e tudo o mais.

Na última, li enquanto comia pudim de leite e pensei "Hmn, acho que não vou terminar esse comentário pós-texto".

See you, space cowboy!

P.S.: Sim, um conto sumiu. E ele não fará falta pra ninguém.

1 comentários:

Amanda disse...

Poxa vida... Eu gostei.