Sábado, Maio 17, 2008

Digressão pós-almoço

Comendo minha sobremesa do almoço, refleti um pouco sobre um ditado que tem muito a ver com ela: a vida é uma caixa de chocolates.

Espero que minha vida não seja uma caixa Nestlé - apesar de ter só uns três ou quatro tipos de chocolate que realmente gosto, normalmente consigo acabar com uma inteira em dois ou três dias. Convertendo a metáfora em análise um pouco mais dura, a minha vida seria cheia de coisas ruins que devoro junto com as boas sem nem me preocupar, não parando muito pra apreciar a ruindade ou prazer de cada situação com um pouco mais de atenção. Pior do que não apreciar as singularidades de cada situação, só o fato que elas acabam muito rápido, já que costumo comer os bombons em pares e em intervalos de três ou quatro horas. Duas, quando me sinto especialmente aventuroso (ou quando o vício por açúcar bate muito forte).

Fora que eu não quero que minha vida amorosa seja, sei lá, parecida com um Prestígio. A idéia de ter côco ralado e seco permeando minhas poucas desventuras atrás de mulher não me agrada nem um pouco.
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Aniversário chegando. 22 anos nas costas se aproximando.

E o que mais choca com a celebração da minha aproximação da morte é a constatação que a galera nascida em 90 e 91 está entrando na faculdade agora. Quando bem me lembro, eram os moleques chorões e meio bobos que sempre davam um jeito de cagar a diversão da galera com alguma atitude que considerávamos infantil, apesar de praticarmos as mesmas coisas com muito mais elegância e discrição quando em público - normalmente reveladas com grande revolta com um inocente mas ele também faz e ninguém chama ele de criança ou chorão!. E isso não tinha a ver com a idade - seja fodendo o as brincadeiras de criança por não quererem seguir regras, seja vomitando e pagando mico em alguma festa de 15 anos em que decidiram começar a beber na ocasião, esse povo era a galerinha infantil, porém divertida, que você sempre via como os irmãozinhos mais novos que nunca cresceriam e não parariam de te pentelhar.

Agora tão entrando na faculdade, prontos pra fazer a mesma quantidade de merda que qualquer um faz na graduação. Em poucas palavras, começaram a trilhar o caminho do fim da adolescência, que (todo mundo espera, mas nem sempre na prática ocorre) os levará à maturação e os transformará em adultos funcionais e, quem sabe, prontos pra encarar a vida sem o miguxismo e a atitude mimada típicos dos anos de juventude da atualidade.

Os marcos da passagem do tempo que levam à consciiência do fim da juventude são tão variados que fico até bobo de ver. Pra alguns, é o primeiro emprego sério pós-colegial; pra outros, é o fim quase que certo do paitrocínio. E, é claro, sempre tem aquele cara estranho que vê num ato levemente trivial e que não deveria ser nada de mais a comprovação que ele começou a ficar velho: gosto de pensar que isso torna gente assim muito mais interessante, mas a maior parte das pessoas só dá uma risadinha de desdém e fala "mas esse cara é uma figura mesmo!".

Bom, pelo menos estou confortável na minha estranheza e todo mundo se diverte com ela.
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Tem uma bela parábola em algum mangá que vi por aí (não tenho certeza se é Vagabond ou Berserk, e não estou muito afoito para correr atrás com mais atenção), que reproduzo aqui porque deu vontade e, meio que esperadamente, tem a ver com algumas coisas que tenho passado.

Ela fala sobre um macaco que enxerga o reflexo da lua na água, acha a imagem muito bonita e tenta (em vão) pegar o reflexo com as mãos para tê-la para si. Somente após fazer alguma cagada, cair na água, olhar para cima e provavelmente pegar gripe é que o símio se dá conta que, na verdade, a lua está no céu, muito mais bonita e lívida do que o reflexo. Não apenas isso, mas ele se dá conta que toda aquela beleza está infinitamente longe de seu alcance; algo que provavelmente ele só atingirá de forma simbólica quando seus filhos cruzarem por gerações o suficiente para se tornarem humanos capazes de fazerem foguetes e naves capazes de vencer a gravidade da Terra.

Resignado, o macaco desencana da lua, e até mesmo de seu reflexo: em uma jogada extremamente objetivista a la Ayn Rand, ele não enxerga beleza e nem tem interesse naquilo que nunca poderá alcançar e que, portanto, não lhe concederá a felicidade.

Deixando um pouco a análise filosófica espanta-leitores de lado, me sinto um pouco como o macaco em um momento bem específico da trajetória dele - no exato momento em que ele está pra cair na água e, nem um pouco graciosamente, gira no ar e vê a lua em toda a sua beleza e distância absurda.

Só que ao invés da lua, é a vida após terminar a graduação que surge refletida na água e pairando no céu.

O ponto positivo é que as idéias pro foguete pra tentar chegar a um objetivo que parece inalcançável tão tomando alguma forma. Só preciso de referências bibliográficas pra dar algum corpo a esse projeto.

Talvez as 2967 mil citações vindas de uma centena de obras distintas que um bom projeto de mestrado exige também sejam necessárias. Engraçado como pra provar que o que você está escrevendo é novo e merece financiamento, você precisa fincar enormemente os pés num passado que dá a entender que engolirá a sua produção num piscar de olhos...
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Bom, é isso aí. See you, space cowboy!

1 comentários:

bill disse...

Fiz uma pesquisa sobre Ayn Rand, da qual nunca tinha ouvido falar. Achei interessante.

:D