Quinta-feira, Novembro 02, 2006

Qual é o nome que dão...

... Para a sensação que se tem quando a vida fica no automático?

Isso mesmo, no automático. É uma sensação difícil de perceber porque você está no... Automático, mas é fácil até de descrever. E que leva a conseqüências muito perigosas. Vamos tentar descrevê-lo, e como ele afeta nossas vidas.

É aquele sentimento de "nada na cabeça" que aparece quando você se integrou totalmente à alguma rotina, e você não fica especialmente feliz, triste, raivoso, entediado ou apático - simplesmente deixa a vida te levar e não se deixa tomar por emoções fortes. Vai fazendo as tarefas do dia, sem questionar muito, e quando você se dá conta está fazendo sudoku na cama pouco antes de dormir.

Então, surge o pensamento fatídico na cabeça, aquele que te levará a um questionamento um pouco depois:

"Puxa, o tempo passou rápido hoje!"

Aí você começa a viajar, pensando como agir no automático tira a emoção da vida. Sai um pouco pelo ritmo da rotina, e muda do automático para o manual. Chega à conclusão que, definitivamente, rotinas não prestam e nos reduzem a meros autômatos, escravos de nossos vínculos e responsabilidades dentro e fora de casa. Percebe que a vida moderna nos prende demais à certas coisas, e somos consumidos pelos desejos que ela incute em nossas cabeças. E, quem sabe, imagina como uma vida simples e frugal seria muito mais agradável e saudável do que a correria insana e estressante que todos os urbanóides como você encaram para sobreviver.

Enquanto você divaga, o lápis/caneta cai da sua mão, escorrega pelo colchão e cai no chão, fazendo aquele barulho característico de um objeto oblongo quicando um pouco sobre uma superfície dura.

O barulho acaba com as suas divagações levemente insatisfeitas, destruindo o que podia ser uma reflexão importante sobre sua vida e sobre a sociedade em que você vive. Entrando de novo no automático, você pega o objeto de escrever em questão, tenta fazer o sudoku número 271 (nível difícil já! O orgulho que vocÊ sente é quase indisfarçável), fica de saco cheio, coloca as duas coisas na cabeceira e se entrega ao sono.

O sentimento de "no automático" se vai, de novo.

Mas ele vai voltar, você sabe disso. E quando ele se for de novo, seu senso crítico vai entrar em ação novamente pra fazer um review do seu dia-a-dia.

Enquanto isso não acontece, você vai usá-lo pra decidir se vai levar o Ades sabor limonada suíça ou pêra pra casa, ou se o seu/sua companheiro(a) vai querer comida chinesa ou pizza depois de ver um filme no sábado à noite. Tudo isso no automático, claro.